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Falta d'água prejudica produção e afeta competitividade com outros estados

Aos 74 anos, Chico Patrício dá um tempo no sorriso e na fala atropelada para se apoiar no tronco de um coqueiro morto, no lote onde já plantou de tudo desde a década de 1970.

Chora por uns minutos, depois recupera a voz e garante ser forte. Pede desculpas por não conseguir responder como tem se sustentado nos últimos meses. É que a plantação de coco estava se recuperando de uma infestação de lagartas quando a seca virou o problema. Ele é um dos 1.070 produtores do perímetro irrigado Curu-Paraipaba, a 90 quilômetros de Fortaleza. Por ali, a água que vinha do açude Pentecoste foi cortada em janeiro de 2014.
No fundo do quintal, Chico cuida de quase mil mudas. Estão prontas para substituir o coqueiral perdido na área de quase quatro mil hectares. Mas só quando tiver água de volta no perímetro. Ou quando conseguir dinheiro ou crédito no banco para perfurar poço.
Em outro setor das terras, Expedito Gomes, 72, já tem poço cavado. Falta é quitar dívida de R$ 6 mil para ter energia elétrica e conseguir mudar o sistema de bombeamento. Por enquanto, mostra a paisagem de coqueiros que não resistiram. Começando do zero, o ciclo do coco leva pelo menos três anos até dar boa produção.
Acostumados à fartura, os irrigantes tiveram sortes diferentes na primeira estiagem com restrições ao abastecimento do projeto. A perda na produção é de 70% na área de 610 mil coqueiros, com frutos que abasteciam o Ceará e todo o Brasil. Quem consegue colher é porque encontrou água de outras formas. Ainda dá para tirar coco de mesa todo mês no lote de Jarbas Duarte, 41. A solução para a irrigação diária foi um buraco feito na baixa do terreno, mas a produção caiu.
Fica difícil manter a competição direta com Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte. E o principal consumidor agora é Fortaleza, conta o irrigante Fernando Braga, 53. “Não nos preparamos para a seca”, admite. Na porção dele, foram cinco meses sem dar coco no ano passado. Período entre conseguir dois financiamentos junto aos bancos e colocar o poço para funcionar. “Não reagiu ainda como esperei, mas está dando para segurar. Eu produzia entre 15 mil e 18 mil cocos por mês, agora a média é 4 mil”, compara.
O perímetro é dividido em oito setores com 806 lotes. Com terras para uso agrícola e moradias, o projeto hoje abriga 7,3 mil pessoas. Chamados de piscinas, seis reservatórios dentro do perímetro servem para receber as águas que vinham do açude Pentecoste pelo rio Curu. De lá, o recurso era bombeado para o sistema coletivo de irrigação. As piscinas têm apenas poças formadas nas últimas chuvas. No entorno delas, os irrigantes aguardam a perfuração de mais poços profundos. Já foram seis deles cavados pelo Dnocs. (Thaís Brito)

Fonte: Jornal O Povo

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